abril 23, 2007

PARA QUE QUER PAULO PORTAS O CDS, PARA QUE QUER O CDS PAULO PORTAS

A declaração de vitória de Paulo Portas foi um prodígio de vácuo. Tirando dois fraquinhos sound bite, bastante abaixo das capacidades do grande produtor de efeitos especiais - as directas "foram a Primavera do CDS" e "se conseguirmos nada ficará na mesma na política portuguesa" - um cidadão ficava ontem sem perceber o que ganhou o partido com a troca.
Paulo Portas conseguiu não dizer rigorosamente nada na sua primeira declaração após o regresso à liderança: repetiu a intenção de captar o centro-direita para o CDS e fez uma espécie de teste de prevenção à habitual pancada que leva de boa parte das elites da esquerda e da direita, muitas vezes por boas razões: "Sei que na sociedade portuguesa há preconceitos contra este vosso amigo que aqui está. Vou lidar com eles com inteira naturalidade." O resto ,"o partido contemporâneo" é uma variante do "partido sexy", que António Pires de Lima voltou a explanar na última edição do Expresso. Uma coisa sedutora, de quem toda a gente gosta, vá lá saber-se porquê (enquanto programa ideológico, digamos que as duas definições são um achado).
Quem esperava alguma coisa de novo neste regresso de Paulo Portas, ficou ligeiramente desolado. Portas, afinal, não tinha nada de substancialmente grave para dizer. Para quem acredita que a personagem - no deserto que é a cena política nacional - ainda tem alguma coisa para fazer pela sua área política, coloca-se a questão de saber se Paulo Portas quer, efectivamente, dizer alguma coisa de novo enquanto líder partidário, ou se se vai limitar a gerir a crise do CDS (aliás velha de quase vinte anos) e utilizar o partido como plataforma para outros voos.
Há um lugar que está vago e, por acaso, tem lá inscrito o rosto de Paulo Portas: é o de opositor à direita de Aníbal Cavaco Silva nas próximas eleições presidenciais. Num dos programas em que comentava "O Estado da Arte", Portas deixou escapar que a direita pode, em 2011, estar sem candidato, se Cavaco Silva decidir fazer o caminho dos seus antecessores - conseguir ser eleito também pela outra parte do país que o tinha recusado à primeira. É evidente que a linha de coesão entre Cavaco Silva e o Governo deixará a direita aflita em 2011 - se, entretanto, nada ocorrer de estruturalmente novo na política nacional até lá. Reconheça-se que, prematuramente dada por adquirida, a possibilidade de o PS de Sócrates voltar a ter maioria absoluta em 2009 poderá situar-se neste momento em grande dúvida.
Se a vitória de Paulo Portas sobre Ribeiro e Castro deu a impressão de "esmagamento", diga-se em abono da verdade que Ribeiro e Castro teve uma excelente derrota: humilhado e ofendido desde o primeiro dia da liderança pelos partidários de Paulo Portas, Castro bateu-se nos últimos tempos com um misteriosa energia que lhe veio da oportunidade de travar um combate com "o desejado". Para um histórico precoce, remetido há anos para as franjas do partido e que veio do nevoeiro de Bruxelas no meio de uma crise de liderança e ganhou contra o aparelho, não esteve mal. O que lhe faltou em ambição na liderança, sobrou-lhe na tentativa de resistir ao inevitável. Não deixou o CDS em grande posição nas sondagens, mas deixou uma imagem caríssima à nação: uma vítima, acossada e séria. Pode ser que isso ainda lhe sirva para alguma coisa.
Ana Sá Lopes_Jornalista DN

abril 22, 2007

Mais do mesmo

O ex-dirigente do CDS-PP Nobre Guedes avisou hoje que o partido tem de ser completamente diferente do que foi no passado, dizendo que não estará disponível «se for para fazer mais do mesmo».
Nobre Guedes foi um dos notáveis do CDS que esteve presente na sede do partido para ouvir a declaração de vitória de Paulo Portas, a par do ex-vice-presidente António Pires de Lima e dos deputados Nuno Melo, Mota Soares, Nuno Magalhães, António Carlos Monteiro e Hélder Amaral, .......
"In Portugal Diário"
Se eles são os mesmos o que é que vai mudar ? O que é que vai ser diferente ?

Adeus CDS

O CDS de Adelino Amaro da Costa MORREU!
O resultado destas eleições não é nem mais nem menos do que o requiem pelo CDS.

Adeus CDS

Portas ganhou !
Agora durante uns anos vamos ter muito barulho e muita demagogia. Depois vem uma nova derrota em 2009 e lá vai embora outra vez.
Portas regressa para garantir lugar nas listas aos amigos do presidente.

abril 20, 2007

Óbviamente ....

Se ganhar as eleições como é que vai trabalhar com um grupo parlamentar tão hostil?
O grupo vai ter que seguir a linha do partido. Quem não estiver em condições de o fazer terá que seguir outro caminho.
Tem o problema da liderança da bancada para resolver... Eu faço jogo claro. Se for eleito presidente, o próximo líder parlamentar será o meu vice-presidente, o dr. José Paulo Carvalho. É justo que se premeie quem só fez oposição para fora e não para dentro do CDS.Considera que alguns deputados deviam pôr o lugar à disposição?
Tenho procurado e continuarei a procurar ser inclusivo. Agora, é evidente que se houver pessoas que sintam que não estão em condições de desenvolver a linha do partido, então devem ceder o lugar a outros, que estejam em condições de o fazer. Mas o que desejo é que a voz do partido se faça ouvir, e que desta vez seja bem ouvida.Caso vença as directas, ainda é compatível ter Ribeiro e Castro na presidência e Paulo Portas no grupo parlamentar?
Ouvida a voz do partido, não faço exclusões, faço exigências. Fez algumas nos últimos dois anos. Sem resultado...Mas estas directas são muito importantes por isso. O que é que se passou antes?
Havia uma oposição interna cujo chefe estava escondido, estava atrás das moitas, dos arbustos... E isso era um factor de grande perturbação. Desde há meses que o dr. Portas actua como se fosse um presidente sombra e como factor de fomento de indisciplina. Acredito que, vencido o chefe da oposição, as coisas entram no caminho. É importante que o CDS seja libertado do condicionamento do velho ciclo, que tem sido uma pressão muito grande ao longo dos últimos meses. É a única forma de o partido encontrar paz. O CDS não terá paz com Portas?
O dr. Portas introduziu fracturas que geraram sentimentos de grande indignação. Há pessoas que já saíram e tenho-me esforçado, nas últimas semanas, para travar mais saídas. Infelizmente, em alguns casos não foi possível, como no caso da dra. Maria José Nogueira Pinto, que praticamente foi expulsa do partido pelo grupo do dr. Portas. Se perder qual será o seu lugar no CDS?
O de sempre, sou militante do partido. Mas estou a contar ganhar.Arrepende-se da forma como lidou com as questões internas?
Não, infelizmente acho que as coisas tinham que seguir este rumo. Hoje estou convencido que isto foi planeado, para desencadear uma crise nesta altura, depois de passadas as provas eleitorais - as autárquicas, as presidenciais, o referendo ao aborto -, em que não dava jeito estar à frente do partido. Se voltasse atrás, mantinha-se como eurodeputado?
Claro. Isso é um falso argumento de quem quer derrubar o presidente do partido. E o facto de Paulo Portas referir essa questão só prova duas coisas: que foi sempre ele o instigador da intriga interna e a absoluta indigência das suas propostas. Modéstia à parte, tenho cumprido bem os dois mandatos [de eurodeputado e presidente do CDS]. E nestes dois anos, passei 222 dias em visitas por todo o País. Os seus adversários acusam-no de querer recorrer para os tribunais por interposta pessoa... Isso é conversa de chacha. Os militantes têm o direito de reagir a coisas que consideram injustas - não sou estalinista e espero que ninguém seja. Deixemos as coisas funcionar, como gente adulta. O dr. Paulo Portas não é mestre-escola e eu não faço parte do infantário dele. Assumo a minha responsabilidade, sou líder do CDS, fui desafiado a meio do meu mandato e estou num combate político. Não tenho medo, recomendo que ninguém tenha.O que é que separa o seu projecto do do seu adversário?
Há muitas diferenças entre o novo ciclo e o velho ciclo. Estão em causa sobretudo três questões - além da lealdade e da lisura de processos. O modelo de partido, o posicionamento estratégico e a agenda de valores. Tenho uma visão de um partido aberto - e tenho aberto o CDS -, com um compromisso profundo com os ideais que afirma, com um espírito de serviço ao País. Os partidos ou representam alguma coisa ou então não são partidos principais. E eu aspiro para o CDS um partido principal. A única coisa boa da tareia que levámos em 2005 é que isso nos deu espaço para fazer uma cura de oposição. Mas isso não é repetir os mesmos erros. Eu não ponho em causa o esforço e o trabalho do dr. Portas, só que isso foi um fracasso absoluto. Foi sempre a descer.

abril 19, 2007

O poder a quem de direito

JRC disse no seu discurso na Batalha que se for reeleito o partido vai premiar o protagonismo local, devolvendo o poder ás distritais para escolherem os seus representantes, sem serem impostos os amigos do presidente do partido, como tem sido hábito no passado do PP

1999

Porque será que o PP que até já foi deputado europeu, 1999, agora tem tanto contra o facto do JRC ser deputado europeu ?

Bruxelas

Lembram-se daquele presidente do PP que era apoiado pelo Portas e era Deputado Europeu ?
Nessa altura era conveniente ao Portas que o Presidente do PP estivesse em Bruxelas, assim ele, Portas, podia preparar por cá a forma de também nessa altura tomar o poder de "assalto".

RTP

No frente-a-frente, ambos os candidatos à liderança do CDS reiteraram aqueles que têm sido os seus principais argumentos na campanha interna: enquanto Ribeiro e Castro voltou a acusar Portas de ter aberto uma crise no partido, Portas repetiu que "o essencial" é fazer oposição ao primeiro-ministro, José Sócrates.

RTP_Não é preciso pedir

"Para uma pessoa com a experiência do dr. Paulo Portas não é preciso pedir, sabe o que é preciso fazer para unir o partido ou provocar erosão"

RTP_ Intriga interna

O líder do CDS-PP Ribeiro e Castro acusou Paulo Portas de ser "o promotor da mais baixa intriga interna", quando o ex-líder do partido criticou a sua opção de se ter mantido como eurodeputado.

abril 17, 2007

Para os + esquecidos

Abril 2005 - Ribeiro e Castro eleito Presidente, críticos pedem para que saia de Bruxelas, criticando-o desde o 1º dia.
Maio 2005 - Oposição interna organiza as “Noites à Direita” - Café Nicola (foi um fiasco mas tentaram)
Junho 2005 - Dia 18 - Directas no CDS-PP / Dia 19 – Falam em chapeladas
Julho 2005 - Nuno Melo em entrevista volta a criticar lugar de Bruxelas
Setembro 2005 - A meio das autárquicas Telmo Correia fala de presidenciais, quase rebenta com a campanha em Lisboa
Outubro 2005 - Conselho Nacional – Decisão do apoio a Cavaco muito criticada. Insurgem-se contra a escolha da direcção que viria a ser vencedora.
Novembro 2005 - Procriação médica assistida discutida no Parlamento. 8 Deputados fazem declaração de voto, Paulo Portas incluído, contrariando o partido.
Dezembro 2005 - Presidenciais
Janeiro 2006 - Presidenciais
Fevereiro 2006 - Paulo Portas volta a apresentar declaração de voto sobre lei da nacionalidade prejudicando imagem do partido
Março 2006 - Tomada de Posse do Pres. República, grupo parlamentar não aplaude de pé – Sampaio Pimentel, referindo-se ao Presidente diz: “Se tiver um pingo de vergonha, demita-se”. Portas inicia “Estado da Arte” – começam os sms’s aos militantes. Herculano (Santarém) exige congresso e recolhe assinaturas. Pires de Lima insinua que Monteiro foi convidado a regressar e agita águas
Abril 2006 - Preparação do Congresso - Críticos insistem durante este mês na conversa do Eurodeputado
Maio 2006 - Congresso da Batalha – “Antagonismo Militante”
Junho 2006 - Limitação dos Mandatos dos dirigentes do Partido: agitação das águas. Nova polémica interna
Julho 2006 - Conselho Nacional: Limitação dos Mandatos dos dirigentes do Partido – o CNJ era não vinculativo e não prestava para pessoas que viam o mandato em perigo, os mesmos que exigem agora vinculações
Agosto 2006 - Nuno Melo em entrevista ao Independente diz que o partido não aguenta muito mais tempo esta lógica (ataque a Ribeiro e Castro)
Setembro 2006 - Pires de Lima diz que Congresso é inevitável em 2007 - Portas fala em cartão vermelho no “Estado da Arte” - Pacto da Justiça –Críticas a Ribeiro e Castro
Outubro 2006 - Nuno Magalhães diz ao Semanário que o partido tem saudades de Portas, Nobre Guedes e Portas começam voltas pelo país - Eleição do Líder parlamentar
Novembro 2006 - Hélder Amaral dá entrevista ao Semanário dizendo que Paulo Portas é líder Natural, adiamento das Jornadas Parlamentares
Dezembro 2006 - Jantar Natal da Concelhia de Lisboa – Discurso do Nuno Melo
Janeiro 2007 - Demissão do Pres. Grupo Parlamentar
Março 2007 - Portas Candidato
É por estes motivos e por outros que: Eu acredito !

março 02, 2007

Os Grandes Bombarralenses do séc. XX






Aproveitando o programa televisivo da RTP, Os Grandes Portugueses, baseado no programa de grande êxito da BBC "Greatest Britons", que tem o objectivo de escolher quem foi o maior português da História de Portugal.
Porque este projecto ultrapassa largamente o mundo televisivo. Cobrindo vários níveis de multimédia, este programa combina informação, biografia, documentário e entretenimento com um grande e único objectivo, o de incentivar os portugueses a nomear o seu Grande Português.
Os portugueses puderam escolher quem era o seu Grande Português. Essa pessoa podia ser um rei, um político, um cantor ou até mesmo um familiar. A RTP lançou assim o desafio e as pessoas puderam votar ou através de telefone, via SMS ou até mesmo pela internet.

Seguindo este exemplo LANÇO AQUI UM REPTO aos Bombarralenses em geral, e á Câmara Municipal, ao Bomportal, ao Noticias do Bombarral, ao Área Oeste e á Rádio 94FM em Particular.

Vamos eleger “Os Grandes Bombarralenses do século XX”, a exemplo do que outros concelhos nossos vizinhos já estão a fazer como forma de homenagearem os seus antepassados mais ilustres, sem qualquer interferência devemos numa primeira fase dar voz aos Bombarralenses para, aleatoriamente num determinado espaço de tempo, elaborarem uma lista de personalidades considerada “Lista de Sugestões para o voto” e depois deverá ser elaborada uma pequena lista de biografias e, essa sim será a lista a por a votação de forma a serem eleitos primeiro 10 cidadãos do Bombarral, “ Os Grandes Bombarralenses do século XX” e depois “O Grande Bombarralense do século XX”, todos eles s serem galardoados durante o decorrer do feriado municipal, concluídos todos os tramites oficias para essa homenagem.

Aqui fica o repto, agora é por mãos á obra, e homenagear em vida ou a titulo póstumo aquele que foi O GRANDE BOMBARRALENSE DO SÉC. XX

março 01, 2007

Grandes Portugueses

Dr. António de Oliveira Salazar - 1889/1970
Este foi sem margem de duvida UM GRANDE PORTUGUÊS

Dirigiu os destinos do País durante quatro décadas. Foi ministro das Finanças, presidente do Conselho de Ministros, fundador e chefe do partido União Nacional. Afastou todos os que tentaram destituí-lo do cargo. Instituiu a censura e a polícia política. Criou dois movimentos paramilitares: a Legião e a Mocidade Portuguesas. Mas equilibrou as finanças públicas, criou as condições para o desenvolvimento económico, mesmo que controlado, e conseguiu que Portugal não fosse envolvido na II Guerra Mundial. Manteve a separação entre o Estado e a Igreja. Figura controversa, marcou sem dúvida a história do País.

“Sei muito bem o que quero e para onde vou”, disse António de Oliveira de Salazar na tomada de posse da pasta das Finanças, em 1928. E durante quase 40 anos assim foi. “Primeiro-ministro, a que uns chamarão déspota esclarecido e outros iluminado. Governou em nome do povo, substituindo-se a ele e invocando a Nação.” Salazar nasceu no dia 28 de Abril de 1889. Para os pais, um casal de agricultores de Santa Comba Dão, era a resposta às suas preces. Maria do Resgate, de 44 anos, dera à luz quatro filhas e já quase perdera as esperanças de deixar no mundo um filho varão. Tratado quase como um milagre, teve direito a aulas particulares até à entrada no seminário diocesano de Viseu, em 1900. A sua inteligência e vontade de aprender deram frutos: obteve a equivalência do liceu com 19 valores e decidiu-se pelo curso de Direito, em Coimbra. Na cidade dos estudantes fez uma das suas poucas amizades, que manteve ao longo da vida - o padre Manuel Cerejeira, futuro cardeal. “São duas pessoas muito curiosas do seu tempo, Salazar e Cerejeira foram marcados pelo catolicismo e pela política católica, a chamada democracia cristã.” Durante este período, Salazar liga-se à ala católica, anti-republicana. Faz parte do Centro Académico da Democracia Cristã e escreve artigos de opinião em jornais ligados à Igreja. É, assim, com naturalidade, que concorre por Guimarães como deputado ao Parlamento. Demora-se no cargo apenas três dias. Desiste e regressa a Coimbra. Salazar regressa à sede do poder em 1926. A crise económica, entretanto instalada, e a instabilidade política da I República tinham levado ao golpe militar de 28 de Maio. Professor de Coimbra, muito considerado, recebe a pasta das Finanças. Desta vez, demora-se mais tempo no cargo: 13 dias. Por não ver satisfeitas as condições que impusera como indispensáveis, demite-se. Sabe que, mais cedo ou mais tarde, precisarão dele. Menos de dois anos depois, o convite é repetido. Exige em contrapartida o controlo sobre as despesas e receitas de todos os ministérios. Entre 1928 e 1929 consegue um superavit nas finanças públicas. Aquele que se afirmava como um não-político, iniciava uma carreira meteórica. “Salazar tinha aquela concepção de que há uma elite política, que é a do regime, que está toda reunida num partido único, a União Nacional, e Salazar, que é um ditador. Depois, há todas as outras pessoas, que deviam deixar-se governar. Evidentemente, é a tal história: manda quem pode, obedece quem deve. E, para isso, não se faz política”. Em 1930, como alternativa à ditadura militar, imposta em 1926, e às sucessivas revoltas da oposição democrática, Salazar funda o partido União Nacional. Prepara-se para tomar o poder. Este seria o denominador comum de todos quantos quisessem servir a pátria. “Tudo pela Nação, nada contra a Nação”, dizia. Político exímio, o ministro das Finanças da ditadura militar consegue afastar os sucessivos presidentes do conselho de ministros militares nomeados. Acaba por assumir o governo do País em Abril de 1932. No ano seguinte, faz ratificar uma nova Constituição, apesar de uma abstenção de 40% (considerados votos a favor). O seu poder pessoal passa a assentar em bases sólidas. Cria a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE), mais tarde Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), uma polícia política. Proíbe as oposições e impõe, com o partido único, um regime totalitário. Chama a si o despacho directo dos pelouros sensíveis, onde se inclui a propaganda e a censura. “Só para dar alguns exemplos, não havia suicídios em Portugal, porque a censura censurava os suicídios. Não havia conflitos sociais, porque a censura censurava os conflitos. Enfim, ele tentou criar a imagem de uma sociedade perfeita”. A vontade de mudança surge com o fim da II Guerra Mundial, em 1945 e 1949, com a criação do Movimento de Unidade Democrática (MUD), mas sobretudo em 1958, nas eleições presidenciais. O general Humberto Delgado - que fora seu activo colaborador - congrega à sua volta a oposição e provoca uma onda anti-salazarista. O chefe do Conselho de Ministros defende-se, reforçando a acção repressiva. Altera a Constituição e torna a eleição presidencial dependente de um colégio eleitoral da confiança do regime. Com a perda da Índia Portuguesa, em 1962, e o início da guerra em África, no ano anterior, Salazar já não tem a mesma confiança no povo português. Em conversa com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Franco Nogueira, desculpa-se: “Se em lugar de governarmos este país, governássemos outro, conseguia-se mais. Neste, a gente puxa mas, como não dá, temos a tendência para nos nivelarmos à massa.” “O essencial do seu pensamento é este”: “A ideia do equilíbrio económico-financeiro e da autoridade que deve controlar a liberdade. A ideia de um Portugal projectado no mundo através de um império, e não integrado na Europa. A ideia de um país que vivesse de forma comedida, sem excessos de riqueza, luxo ou ambição. Portanto, governou Portugal à sua medida.” Em 1968 a guerra em África matava os mesmos homens - e os seus filhos - que Salazar dizia ter salvado do conflito da II Guerra Mundial. A opinião pública já não o favorecia. Mas permaneceu no cargo. Até cair de uma cadeira. O que parecia não ter deixado mazelas transformou-se num hematoma craniano. Operado com urgência, volta a sofrer um acidente cardiovascular. É declarado incapaz e acaba exonerado do cargo. No entanto, morre sem o saber. Corria o ano de 1970. Com a sua morte, morre um regime que viveu da sua imagem. Mais de 40 anos passados, a polémica ainda está instalada: foi o salvador da pátria ou um ditador? “Como os fenómenos culturais são lentos a mudar, há uma certa inércia que fica na cabeça das pessoas. Essa inércia diz o seguinte: foi um tempo em que não havia democracia, nem liberdade, mas havia estabilidade, autoridade e um viver modestamente, mas em equilíbrio económico e financeiro”. “E essa ideia que ficou tem o seu lastro que, de quando em vez, vem ao de cima, porque 40 anos são muito na história de um povo.” (in os grandes portugueses)