junho 23, 2007

Teresa, a Super Mulher

O que escrevia no Jornal de Negócios, Fernando Sobral, em 23.06.2004 sobre a candidata do PP á Câmara de Lisboa, Teresa Caeiro.

Portugal pode dormir descansado. Mesmo que Santana Lopes esteja constipado e Paulo Portas esteja incontactável dentro de um submarino, há uma solução para o país.
Chama-se Teresa a primeira Super-mulher do país.
Ela pode, de manhã, ser secretária de Estado-Adjunta e dos Antigos Combatentes porque foi «neta e filha de militares», como dizia Paulo Portas. À tarde pode tornar-se, secretária de Estado das Artes e Espectáculos, porque vai ao «ballet» e talvez a concertos de Paul McCartney. Aos sábados poderia ser secretária de Estado das Minas e ao domingo das Telenovelas e Entretenimento.
É importante que existam políticos polivalentes no país: os clubes de futebol fazem isso. Teresa até poderia ser a secretária de Estado omnipotente e omnipresente para estar de manhã em Lisboa, à tarde no Porto e andar durante o resto do dia de helicóptero para dar uma ideia de que o Governo está no ar e está sempre consigo.
Mas isso torna-a especialista de tudo e de nada. O que é mau para Portugal. E, pior, para ela. Que fica como a polivalente de serviço.

junho 16, 2007

Então o menino é parvo ?

Caso Portucale
O Secretário-geral do CDS-PP repudia notícia sobre recibos duvidosos
O secretário-geral do CDS-PP considerou «lamentável» e «ataque grosseiro» ao partido a notícia publicada hoje na imprensa sobre milhares de recibos de pessoas que fizeram doações em 2004 e cujos documentos só foram passados em 2005. - Jornal " O Sol"



Esta notícia, a ser verdadeira, tresanda a aldrabice, só o João Almeida, que até já foi candidato a presidente do CDS, e actualmente é secretário-geral do PP acha que a sua publicação não passa de um ataque grosseiro ao partido e acha normal um tipo doar 600 € em dinheiro e assinar como: Já Sinto Leite Cá Pelo Rego. Brincalhões esta malta do CDS, uns incorruptivéis

Os incorruptivéis

Com Paulo Portas e esta malta, não se podia esperar outra coisa !

Cerca de quatro mil recibos com que o CDS-PP justifica o depósito de um milhão de euros na sua conta, em Dezembro de 2004, só foram impressos no final de Janeiro de 2005, numa tipografia dos arredores de Lisboa.

Só nos meses seguintes, dois funcionários do CDS, que estão entre os 14 arguidos no inquérito-crime "Portucale", haveriam de preenchê-los com nomes que, na esmagadora maioria dos casos, não permitiram à PJ identificar os alegados doadores.
Já cinto Leite Cá pelo Rêgo é um dos supostos doadores do partido então e agora presidido por Paulo Portas, apesar das óbvias dúvidas sobre a existência deste nome.
Além disso, a maioria dos recibos - cujas guias de transporte e facturas da tipografia fazem perceber que foram feitos em 2005 - apresenta só dois nomes e não tem escrito qualquer número de contribuinte, inviabilizando o apuramento da identidade dos "mecenas".

Os referidos funcionários terão dito à PJ que haviam preenchido os recibos com base numa lista de nomes que lhes fora entregue e, posteriormente, destruída. Com efeito, nem a PJ nem o Tribunal Constitucional a localizaram, apesar das buscas na sede do CDS, além das realizadas no escritório e casa de Nobre Guedes e no Grupo Espírito Santo (GES).A PJ suspeita que a verba de um milhão de euros é uma contrapartida do GES ao despacho com que três ministros do Governo anterior - Costa Neves (PSD), Nobre Guedes e Telmo Correia (CDS) - viabilizaram o empreendimento "Portucale", a quatro dias das eleições legislativas de 20 de Fevereiro de 2005.

O CDS alega que a verba corresponde a donativos recolhidos em eventos realizados entre Agosto e Dezembro de 2004.Porém, a data e o local desses eventos são desconhecidos pelo próprio Tribunal Constitucional, que aludiu o assunto num acórdão recente. O tribunal pugna pelo cuprimento da lei do financiamento dos partidos e das campanhas, que proíbe donativos anónimos superiores ao salário mínimo. Quase todos os recibos com que o CDS justifica a verba de um milhão - fracionada em 105 depósitos de 10 mil euros - apresentam valores de 200 e 300 euros.O relatório da investigação do caso "Portucale" - espoletada pelo despacho que declarou a "utilidade pública" de um grande empreendimento turístico do GES, em Benavente, e autorizou o abate de 2605 sobreiros - foi remetido, a semana passada, ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal. O inquérito teve como arguido Luís Nobre Guedes, além de Abel Pinheiro, ex-director financeiro do CDS, Costa Neves, ex-ministro da Agricultura, António Sousa Macedo, ex-director-geral de Florestas, e Luís Horta e Costa, José Manuel Sousa e Carlos Calvário, administradores do GES. Um despacho "intercalar" dos procuradores Rosário Teixeira e Auristela Hermengarda arquivou as suspeitas sobre Nobre Guedes, mas o relatório da PJ volta a relacionar o centrista com a alegada prática de crimes de prevaricação e abuso de poder.

junho 11, 2007

Como temos a memória curta ..........

O novo Estádio de futebol da cidade de Al-Kahder, nos arredores de Belém, na Cisjordânia, cuja construção foi financiada por Portugal, através do Instituto Português de Cooperação para o Desenvolvimento, vai ser inaugurado na próxima segunda-feira.
O recinto custou ' apenas ' dois milhões de dólares, tem capacidade para seis mil espectadores, é certificado pela FIFA e dispõe de piso sintético e iluminação. A cerimónia de inauguração abrirá com uma marcha de escuteiros locais, conduzindo as bandeiras de Portugal e da Palestina, e a execução dos respectivos hinos nacionais.
Esperemos que o novo Estádio de Futebol não venha a servir, no futuro, como base militar para aterrarem helicópteros e, nas bancadas, colocarem crianças indefesas como ' escudos humanos ' !...
Já fechámos urgências, maternidades, centros de saúde e escolas primárias, mas ... oferecemos um estádio à Palestina! Devíamos fechar o Hospital de Santa Maria e oferecer um pavilhão multiusos ao Afeganistão. A seguir fechávamos a cidade universitária e oferecíamos um complexo olímpico (também com estádio) à Somália. Prepara-se o fecho de Tribunais e com o dinheiro da venda dos edifícios já haverá disponibilidade financeira para oferecer uma marina artificial ao Irão. E o que mais se seguirá ?!!!



Como temos a memória curta, vale a pena recordar....


http://www.youtube.com/watch?v=DcEciCZ5u4M

junho 07, 2007

Aeroporto da Ota. ... Já!

O futuro aeroporto da Ota vai ser um pólo de logística e desenvolvimento para toda a região, e nomeadamente para a região Oeste, tendo implicações territoriais que devem desde já ser levadas em conta.
Um aeroporto, não é só um aeroporto, mas sim um complexo de actividades, de logística e de oportunidade de desenvolvimento económico e territorial de uma região.
Apoio integralmente a decisão do Governo em construir um novo aeroporto internacional na Ota, basta de estudos, 30 anos a estudar é tempo mais do que suficiente para qualquer mau aluno estar formado.
Aeroporto para a Ota. … Já!

A construção do aeroporto tem que ser agora encarada de uma forma integrada por todos os sectores económicos e pelos municípios, na elaboração dos seus planos de ordenamento do território. Aliás, esta ideia foi recentemente defendida na sessão de lançamento do Plano Regional de Ordenamento do Território do Oeste e Vale do Tejo (PROT-OVT), documento da maior importância estratégica que deverá ser aprovado pelo Governo até Agosto de 2007.
Mas é importante que os municípios comecem a delinear estratégias de forma que o turismo passe a estar ainda mais presente nas preocupações dos autarcas, nomeadamente na região Oeste, onde vários empreendimentos estão em construção e outros tendem a desenvolver-se.
Sou de opinião que é importante que para o desenvolvimento da nossa região se faça uma opção entre a massificação e a qualidade, não podemos esquecer que a nossa região está ligada a sítios ambientalmente atractivos e sensíveis, por isso é tempo das autarquias definirem como vão compatibilizar o investimento e o desenvolvimento económico com as exigências ambientais e de qualidade.
O Plano Regional de Ordenamento do Território do Oeste e Vale do Tejo (PROT-OVT), irá fazer a ligação, entre o Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território e os planos municipais, como os Planos Directores Municipais, Planos de Urbanização ou Planos de Pormenor. Este Plano tem por finalidade definir as opções estratégicas de desenvolvimento regional, e apontar directrizes no que diz respeito à ocupação, uso e transformação do território, fazendo assim uma integração, a nível regional, das políticas sectoriais de forma a dar orientações para a elaboração dos planos municipais.
Este Plano Regional de Ordenamento do Território do Oeste e Vale do Tejo vai abranger as áreas territoriais (NUT III) do Oeste, Lezíria do Tejo e Médio Tejo, correspondentes a 8.792 quilómetros quadrados e mais de 800 mil habitantes. Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Alenquer, Almeirim, Alpiarça, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Benavente, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Cartaxo, Chamusca, Constância, Coruche, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Golegã, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Ourém, Peniche, Rio Maior, Salvaterra de Magos, Santarém, Sardoal, Sobral de Monte Agraço, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras e Vila Nova da Barquinha, são, por ordem alfabética, os 33 concelhos, de três distritos Leiria, Santarém e Lisboa abrangidos pelo Plano Regional de Ordenamento do Território do Oeste e Vale do Tejo (PROT-OVT).
Será que alguém na Região Oeste ainda tem dúvidas sobre o desenvolvimento económico e territorial que construção do Aeroporto da Ota trará a toda a Região Oeste.
Por mim, que desde o inicio do processo que estou com ele e o apoio, digo que é tempo dos autarcas da Região em geral e do Bombarral em particular criarem “lobbies” desenvolverem infra-estruturas de apoio á construção do Aeroporto da Ota que trará novas empresas á região e por sua vez novos empregos, desenvolvimento social e económico, infra-estruturas rodoviárias, aperfeiçoamento das redes de transportes, novas habitações, novos complexos desportivos e recreativos e tantas outras infra-estruturas de qualidade numa região que necessita cada vez mais de crescer, sustentadamente, para alimentar os seus habitantes e o seu tecido empresarial.

Nota explicativa:

O futuro Aeroporto Internacional de Lisboa deve ocupar uma área de cerca de 1400 hectares, que contrastam com os cerca 500 hectares ocupados pelo actual Aeroporto da Portela.
A capacidade do Aeroporto da Ota será de aproximadamente 70 movimentos de aeronaves por hora (contra os 80 desejados pelo Governo), contra os actuais 34 por hora no actual Aeroporto da Portela, que passarão a ser 40 depois de aí concluídas as obras de expansão, previstas para 2006 a 2009
. Terá cerca de 80 lugares para estacionamento de aviões, contra os 51 lugares do actual infra-estrutura, que passarão a ser 60 em 2009 após o seu alargamento. Na Ota, a capacidade será de aproximadamente 25 milhões de passageiros por ano, contra os 16 milhões da Portela após a expansão prevista para 2009 (sendo a sua capacidade actual de 11 milhões de passageiros anuais).
O Aeroporto da Ota terá 2 pistas paralelas com cerca de 3600 metros de comprimento e 130 metros de largura cada. O Aeroporto da Portela tem também 2 pistas, não paralelas, uma com 3805 metros e outra com 2400 metros de comprimento, e ambas com 45 metros de largura.
O futuro Aeroporto, na Ota, terá capacidade para receber os aviões A380
, que o actual Aeroporto de Lisboa não poderá acomodar.
O Aeroporto da Ota estará ligado a Lisboa pela futura linha de Alta Velocidade (TGV)
, Lisboa - Porto, que parará na Ota, ligando assim o aeroporto à capital do País em 17 minutos. O trajecto Lisboa - Ota poderá também ser feito através de estradas, entre elas a auto - estrada nº 1 (A1).
A construção do Aeroporto da Ota deve-se, essencialmente, ao esgotamento da capacidade do actual Aeroporto da Portela.
De acordo com as previsões do Governo Português, o próximo Aeroporto Internacional de Lisboa, situado na Ota, Alenquer, abrirá portas em 2017.

maio 24, 2007

Há por ai uns malmequeres


Em 1972, na revista "Prá Frente Lisboa", Raul Solnado, fazia um desafio à censura, sobre a situação dos portugueses com uma canção que muitos já nem se recordam e a maioria nem sequer conhece:
"Português, ó malmequer/ em que terra foste semeado/ Português, ó malmequer/ Cada vez andas mais desfolhado".
Em 1973, José Viana, já falecido, na revista "Grande poeta é o Zé", vestia-se de anjinho e cantava, também desafiando a censura:
"... e lá vamos todos em procissões/ pagar impostos e contribuições/ porque só anjinhos somos nove milhões".
Antigamente, o regime assumia-se com a polícia política, as prisões sem culpa formada, os tribunais plenários e a prisão por delito de opinião.
Agora, nos últimos anos, em abono da verdade desde o último mandato de Cavaco Silva, e com excepção no período de Guterres, o poder assumiu a arrogância do antigamente. Faça-se, no entanto, justiça a Cavaco e a Guterres não há notícias de perseguições por razões políticas.
Hoje, mais de 30 anos após o 25 de Abril Portugal está transformado numa ditadura benévola.


Não há prisões políticas nem censura (?), mas há perseguições aos que desafiam o poder ou aos familiares dos que o fazem quando estes não são susceptíveis de perseguição. Não há censura, mas com jornalistas e cidadãos com contratos a prazo há auto-censura.

As revistas já não têm as audiências que tinham antigamente e os portugueses já não estão em terras de descobridores. Estão numa terra plena de anjinhos, harmoniosa, onde os malmequeres estão cada vez mais desfolhados. E até não têm em quem votar!

"Há para aí uns malmequeres/ Que andam a mudar de cor."

maio 22, 2007

Estranho .... ou não

Parece-nos estranho que nada se comente sobre a perca de mandato prevista para os autarcas do Municipio do Bombarral ?
Mas mais estranho é que em silêncio, pela calada, escondidos, ... alguns politicos por ai andem a perguntar e tentem saber por uns e por outros quem são os candidatos que se avisinham.
Por nós sabemos de fonte segura que se prepara uma candidatura em nome do PPM !

maio 20, 2007

Nada de Novo

De Torres Novas nada de novo ! Uma coroação e um PP que apresentou uma equipe para a Câmara da capital composta pelos super deputados este PP continua com o culto de 1 deputado para cada 20 cargos em vez de 20 militantes para 1 cargo.
Esta equipe vai ser a cereja no topo do bolo deste PP sempre a descer.

maio 14, 2007

Mas há +++++++++

Estou triste com o desaparecimento da pequenina _ Madeleine Beth Mccann _ mas há mais desaparecidos e todos juntos pouco fazemos para ajudar a Policia Judiciária.

maio 04, 2007

Ir á lã ......

Estou completamente de acordo com o deputado municipal do Bombarral que propôs a atribuição de medalhas a quem denunciou á imprensa o resultado do relatório da IGAT e a quem pediu á IGAT para fazer esta inspecção.
Estamos em democracia, por isso as ilegalidades são para conhecimento do povo, pois é o povo que se pronuncia em cada eleição.
Agora tenho duvidas que a intenção desta intervenção do deputado fosse neste sentido, todos sabemos que foi, isso sim, uma intervenção condenatória dos factos divulgados á imprensa e a quem pessoalmente ou partidáriamente pediu esta inspecção.
Pena que a memória seja curta e que o deputado já não se lembre de quem pediu esta inspecção, na mira de fazer cair o anterior presidente e o anterior executivo, aliás, onde estava o actual presidente do municipio.
Como diz o ditado: Ir á lã e ser tosquiado !

maio 03, 2007

Eleições ?

Relatório do IGAT referente á Inspecção Ordinária/sectorial feita ao
Município do Bombarral em 2/10/2006

" 35. Face ao que ficou exposto somos de opinião que o processo deverá ser remetido ao Ministério Público, ........... para que seja proposta acção de dissolução do órgão executivo do município do Bombarral. "

Não pensem os mais entusiastas que a culpa é só do presidente da Câmara ! A culpa, até como está referido no relatório, é do executivo todo que praticou uma acção dolosa, já que aprovou por unanimidade uma licença que sabia não estar legal, face ás informações que dispunha dos técnicos. O executivo na sua totalidade sabia que estava a violar o PDM.

E para que não existam duvidas foi mesmo este executivo que licenciou a obra em 21/11/2005, portanto já no actual mandato de 2005/2008.

Mas não pensem que vai haver eleições. A câmara vai proceder ao contraditório e o processo vai andar até 2008.
A haver eleições agora, o PSD ganharia as mesmas, concerteza, quem sabe até com o mesmo candidato e o PS tem consciênca que ainda não conseguiu, neste mandato, cativar descontentamento suficiente nos municipes para ir a votos e poder ganhar umas intercalares.
Por isso se por um lado o PS não vai querer eleições, até porque é parte do ilicito, e sabe que vai sofrer com o voto do descontentamento nacional contra as politicas implementadas pelo 1ª Ministro, por outro lado dos restantes partidos só a CDU poderá estar interessada em eleições como forma de corrigir alguns erros de vereação e como forma de acusar o anterior executivo, para tentar esconder que deste, executivo, também faz parte, tem pelouros e apoiou a ilegalidade.

Mas vamos esperar para ver pois o tempo é bom conselheiro e tudo apaga da memória(?) politica.

abril 23, 2007

Independente

Hoje já sou independente, politicamente !
Adeus CDS, passei a independente.
Já não estou refem de qualquer disciplina partidária, passados 30 anos, abandonei o CDS.
Hoje já sou independente !
Sou monárquico e democrata cristão não filiado em qualquer partido ou organização politica mas pertencendo á Real de Leiria.

PARA QUE QUER PAULO PORTAS O CDS, PARA QUE QUER O CDS PAULO PORTAS

A declaração de vitória de Paulo Portas foi um prodígio de vácuo. Tirando dois fraquinhos sound bite, bastante abaixo das capacidades do grande produtor de efeitos especiais - as directas "foram a Primavera do CDS" e "se conseguirmos nada ficará na mesma na política portuguesa" - um cidadão ficava ontem sem perceber o que ganhou o partido com a troca.
Paulo Portas conseguiu não dizer rigorosamente nada na sua primeira declaração após o regresso à liderança: repetiu a intenção de captar o centro-direita para o CDS e fez uma espécie de teste de prevenção à habitual pancada que leva de boa parte das elites da esquerda e da direita, muitas vezes por boas razões: "Sei que na sociedade portuguesa há preconceitos contra este vosso amigo que aqui está. Vou lidar com eles com inteira naturalidade." O resto ,"o partido contemporâneo" é uma variante do "partido sexy", que António Pires de Lima voltou a explanar na última edição do Expresso. Uma coisa sedutora, de quem toda a gente gosta, vá lá saber-se porquê (enquanto programa ideológico, digamos que as duas definições são um achado).
Quem esperava alguma coisa de novo neste regresso de Paulo Portas, ficou ligeiramente desolado. Portas, afinal, não tinha nada de substancialmente grave para dizer. Para quem acredita que a personagem - no deserto que é a cena política nacional - ainda tem alguma coisa para fazer pela sua área política, coloca-se a questão de saber se Paulo Portas quer, efectivamente, dizer alguma coisa de novo enquanto líder partidário, ou se se vai limitar a gerir a crise do CDS (aliás velha de quase vinte anos) e utilizar o partido como plataforma para outros voos.
Há um lugar que está vago e, por acaso, tem lá inscrito o rosto de Paulo Portas: é o de opositor à direita de Aníbal Cavaco Silva nas próximas eleições presidenciais. Num dos programas em que comentava "O Estado da Arte", Portas deixou escapar que a direita pode, em 2011, estar sem candidato, se Cavaco Silva decidir fazer o caminho dos seus antecessores - conseguir ser eleito também pela outra parte do país que o tinha recusado à primeira. É evidente que a linha de coesão entre Cavaco Silva e o Governo deixará a direita aflita em 2011 - se, entretanto, nada ocorrer de estruturalmente novo na política nacional até lá. Reconheça-se que, prematuramente dada por adquirida, a possibilidade de o PS de Sócrates voltar a ter maioria absoluta em 2009 poderá situar-se neste momento em grande dúvida.
Se a vitória de Paulo Portas sobre Ribeiro e Castro deu a impressão de "esmagamento", diga-se em abono da verdade que Ribeiro e Castro teve uma excelente derrota: humilhado e ofendido desde o primeiro dia da liderança pelos partidários de Paulo Portas, Castro bateu-se nos últimos tempos com um misteriosa energia que lhe veio da oportunidade de travar um combate com "o desejado". Para um histórico precoce, remetido há anos para as franjas do partido e que veio do nevoeiro de Bruxelas no meio de uma crise de liderança e ganhou contra o aparelho, não esteve mal. O que lhe faltou em ambição na liderança, sobrou-lhe na tentativa de resistir ao inevitável. Não deixou o CDS em grande posição nas sondagens, mas deixou uma imagem caríssima à nação: uma vítima, acossada e séria. Pode ser que isso ainda lhe sirva para alguma coisa.
Ana Sá Lopes_Jornalista DN

abril 22, 2007

Mais do mesmo

O ex-dirigente do CDS-PP Nobre Guedes avisou hoje que o partido tem de ser completamente diferente do que foi no passado, dizendo que não estará disponível «se for para fazer mais do mesmo».
Nobre Guedes foi um dos notáveis do CDS que esteve presente na sede do partido para ouvir a declaração de vitória de Paulo Portas, a par do ex-vice-presidente António Pires de Lima e dos deputados Nuno Melo, Mota Soares, Nuno Magalhães, António Carlos Monteiro e Hélder Amaral, .......
"In Portugal Diário"
Se eles são os mesmos o que é que vai mudar ? O que é que vai ser diferente ?

Adeus CDS

O CDS de Adelino Amaro da Costa MORREU!
O resultado destas eleições não é nem mais nem menos do que o requiem pelo CDS.

Adeus CDS

Portas ganhou !
Agora durante uns anos vamos ter muito barulho e muita demagogia. Depois vem uma nova derrota em 2009 e lá vai embora outra vez.
Portas regressa para garantir lugar nas listas aos amigos do presidente.

abril 20, 2007

Óbviamente ....

Se ganhar as eleições como é que vai trabalhar com um grupo parlamentar tão hostil?
O grupo vai ter que seguir a linha do partido. Quem não estiver em condições de o fazer terá que seguir outro caminho.
Tem o problema da liderança da bancada para resolver... Eu faço jogo claro. Se for eleito presidente, o próximo líder parlamentar será o meu vice-presidente, o dr. José Paulo Carvalho. É justo que se premeie quem só fez oposição para fora e não para dentro do CDS.Considera que alguns deputados deviam pôr o lugar à disposição?
Tenho procurado e continuarei a procurar ser inclusivo. Agora, é evidente que se houver pessoas que sintam que não estão em condições de desenvolver a linha do partido, então devem ceder o lugar a outros, que estejam em condições de o fazer. Mas o que desejo é que a voz do partido se faça ouvir, e que desta vez seja bem ouvida.Caso vença as directas, ainda é compatível ter Ribeiro e Castro na presidência e Paulo Portas no grupo parlamentar?
Ouvida a voz do partido, não faço exclusões, faço exigências. Fez algumas nos últimos dois anos. Sem resultado...Mas estas directas são muito importantes por isso. O que é que se passou antes?
Havia uma oposição interna cujo chefe estava escondido, estava atrás das moitas, dos arbustos... E isso era um factor de grande perturbação. Desde há meses que o dr. Portas actua como se fosse um presidente sombra e como factor de fomento de indisciplina. Acredito que, vencido o chefe da oposição, as coisas entram no caminho. É importante que o CDS seja libertado do condicionamento do velho ciclo, que tem sido uma pressão muito grande ao longo dos últimos meses. É a única forma de o partido encontrar paz. O CDS não terá paz com Portas?
O dr. Portas introduziu fracturas que geraram sentimentos de grande indignação. Há pessoas que já saíram e tenho-me esforçado, nas últimas semanas, para travar mais saídas. Infelizmente, em alguns casos não foi possível, como no caso da dra. Maria José Nogueira Pinto, que praticamente foi expulsa do partido pelo grupo do dr. Portas. Se perder qual será o seu lugar no CDS?
O de sempre, sou militante do partido. Mas estou a contar ganhar.Arrepende-se da forma como lidou com as questões internas?
Não, infelizmente acho que as coisas tinham que seguir este rumo. Hoje estou convencido que isto foi planeado, para desencadear uma crise nesta altura, depois de passadas as provas eleitorais - as autárquicas, as presidenciais, o referendo ao aborto -, em que não dava jeito estar à frente do partido. Se voltasse atrás, mantinha-se como eurodeputado?
Claro. Isso é um falso argumento de quem quer derrubar o presidente do partido. E o facto de Paulo Portas referir essa questão só prova duas coisas: que foi sempre ele o instigador da intriga interna e a absoluta indigência das suas propostas. Modéstia à parte, tenho cumprido bem os dois mandatos [de eurodeputado e presidente do CDS]. E nestes dois anos, passei 222 dias em visitas por todo o País. Os seus adversários acusam-no de querer recorrer para os tribunais por interposta pessoa... Isso é conversa de chacha. Os militantes têm o direito de reagir a coisas que consideram injustas - não sou estalinista e espero que ninguém seja. Deixemos as coisas funcionar, como gente adulta. O dr. Paulo Portas não é mestre-escola e eu não faço parte do infantário dele. Assumo a minha responsabilidade, sou líder do CDS, fui desafiado a meio do meu mandato e estou num combate político. Não tenho medo, recomendo que ninguém tenha.O que é que separa o seu projecto do do seu adversário?
Há muitas diferenças entre o novo ciclo e o velho ciclo. Estão em causa sobretudo três questões - além da lealdade e da lisura de processos. O modelo de partido, o posicionamento estratégico e a agenda de valores. Tenho uma visão de um partido aberto - e tenho aberto o CDS -, com um compromisso profundo com os ideais que afirma, com um espírito de serviço ao País. Os partidos ou representam alguma coisa ou então não são partidos principais. E eu aspiro para o CDS um partido principal. A única coisa boa da tareia que levámos em 2005 é que isso nos deu espaço para fazer uma cura de oposição. Mas isso não é repetir os mesmos erros. Eu não ponho em causa o esforço e o trabalho do dr. Portas, só que isso foi um fracasso absoluto. Foi sempre a descer.