abril 21, 2006

Despedida

Despedida, porque estou de saída

É no meio desta confusão politica que tomou conta do Município do Bombarral que abandono a cena politica, vou partir sem me despedir; vou triste.
Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez seja melhor assim, uma separação como às vezes acontece num baile de Carnaval — uma pessoa perde-se da outra e, procura-a por um instante e depois adere a qualquer outro cordão.

É melhor, como os amantes, pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida e os acontecimentos é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que me será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a passagem de testemunho nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.
É que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram na nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maiores e com o dever cumprido: que importa que uma estrela esteja morta se ela ainda brilha no fundo da nossa convicção e do nosso sonho de ver um Bombarral melhor?
Talvez não mereçamos imaginar que tudo seria diferente se os eleitores assim o tivessem querido mas, haverá outras eleições; e se eles, os que nos abandonaram, voltarem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e canteiros — com flores e cantos.

O eleitorado maltratou-nos; não houve flores, e fomos sacudidos de um lado para outro, a gerir as vontades e os anseios de cada um, como bonecos na mão de um hábil bebé.
Ah, mas, na despedida e na passagem de testemunho para nova gente e gente nova, talvez valha a pena dizer que houve um telefonema, que houve vários telefonemas; entretanto.

Podem, alguns, e mais alguns que até tiveram aspirações, e outros que nada deram e só se serviram, abandonar o barco.
Mas que ninguém pense que já foi escrito o requiem pelo Partido Popular CDS-PP do Bombarral.

Somos grandes, temos propostas e soluções e, contrariamente a outros, temos história e é essa história que vai dar alento àqueles que agora vão ficar ao leme do CDS no Bombarral para lutarem até e em 2009.

Mas, para quê explicações?
Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.
A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.