dezembro 25, 2004

É Natal !

O facto de todos os centros comerciais estarem cheios devido a um consumo desefreado!
Não é porque toda a gente faça anos nesta altura do ano.
Aquele senhor vestido de vermelho e com os Meninos ao Colo NÃO é um dos arguidos do Processo Casa Pia.
Amigos, tudo isto é porque É NATAL, e deixe-me dizer que se ainda preciso de lhe estar a explicar isto, meu Mui estimado amigo, você é muito estúpido para estar a ler este blog, mas não faz mal, porque se enquadrará perfeitamente, nesta quadra natalicia.

outubro 18, 2004

Talvez rasgue algumas fotografias que tirei ...

Talvez rasgue algumas das fotografias que tirei – na minha terra –nos últimos anos.
De cada vez que regresso ao Bombarral, vindo de algum lado, temo que ele tenha desaparecido.
Enquanto conduzo através do concelho, por estradas cada vez mais estreitas e esburacadas, passando por aldeias desertas de actividade e quintas e casas abandonadas, receio que o Bombarral esteja a seguir o caminho de tantos outros lugares deste País que outorga cheios de vida, foram perdendo as pessoas, os negócios e a esperança.
Todos temos um lugar que sentimos ser a nossa terra.
O Bombarral, na Comunidade Urbana do Oeste – a 70km de distância da grande cidade de Lisboa, no centro do Oeste – é a minha terra -.
Fundado em 1914 o concelho foi crescendo a história foi sendo escrita e a obra foi sendo elaborada por tantos homens que não esquecendo os seus interesses, puseram sempre os do concelho á frente dos seus.
Uns assistiram á construção do caminho de ferro, á instalação da primeira câmara municipal, ao crescimento dos grandes armazéns vinícolas, há primeira estrada alcatroada, há chegada da luz eléctrica até ao sitio mais remoto do concelho, há construção do Teatro, do cinema, da sede do clube, , há inauguração do pavilhão municipal e da piscina, há água canalizada nas torneiras das nossas casas, há construção da Biblioteca Municipal, há construção do Centro Coordenador de Transportes, há recuperação do Palácio Gorjão e instalação do Museu Municipal, há construção do Mercado Municipal, há construção das Escolas Preparatória e Secundária, há inauguração do pavilhão municipal e da piscina, ao saneamento básico etc... tudo isto deve ter produzido uma impressão solidária nos habitantes do concelho, entre eles os políticos que para aqui vieram na década de 1990.
Quem visitou o Bombarral pela primeira vez em finais da década de 1980 com a ambição de documentar fotograficamente os pequenos detalhes de um povoado agrícola antes que ele desaparecesse, por certo fotografou que para a época o Bombarral era um concelho em plena via de desenvolvimento e que sabia agarrar todas as oportunidades que lhe apareciam.
Assisti ao desaparecimento de escolas e quintas da minha infância e vi as grandes casas agrícolas e vinícolas definharem até morrer à medida em que nada de novo foi aparecendo para as substituir, muitos dos nossos naturais habitantes partiam em busca de trabalho.
Por isso, de cada vez que regresso ao Bombarral, sinto medo de perdê-lo porém, sempre que dobro a esquina, o Bombarral lá esta, com o seu depósito de água e as suas ruas com buracos.
No meio de tudo, a Câmara Municipal. E é com tristeza que encontro sempre o local repleto de pessoas sem ideias, sem estratégia, somente aperfeiçoando as promessas para um concelho que tem passado ao lado de tudo nos últimos anos, para um concelho que só tem crescido em altura e que para além de perder a sua qualidade de vida se tem deixado ultrapassar por outros concelhos outrora "aldeias grandes" quando comparados com – a minha terra -.
Foi aqui e ao longo dos anos que aprendi o segredo do que constitui uma comunidade, tudo tem a ver com as pessoas porque elas são a única coisa que realmente mantém a esperança.
Todas as mortes, nascimentos, partidas e chegadas assinalam uma ocasião importante - na minha terra -.
Noutro dia à noite, ouvi um Ministro dizer que queria construir uma Escola de Hotelaria e Turismo no Oeste e pensei, as pessoas que estão na Câmara - da minha terra -, concerteza que já falaram com o Ministro e estão a preparar o local para instalar esta Escola – na minha terra -.
Depois descobri que afinal eram as pessoas de outras terras que já tinham falado com o Ministro para que esta Escola fosse para outra terra que não - a minha terra -.
Então, farto de tantas promessas não cumpridas, de pessoas da minha terra e convencido de que o Bombarral está farto de crises e aventuras, decidi dar uma oportunidade a essas pessoas e por isso empenhei-me através do CDS-PP/Bombarral em propor mais uma solução construtiva e real que permita criar riqueza para – a minha terra- e propus á Câmara Municipal que se una em torno dos interesses – da minha terra - de modo a criar uma corrente de influência que faça com que o Ministro decida que a Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste deve ficar instalada – na nossa terra – o Bombarral
Não tinha planos de tirar fotografias, mas não consigo resistir e, espero que no presente como no passado as pessoas – da nossa terra - não esquecendo os seus interesses, ponham os interesses do Bombarral á frente dos seus, assim talvez rasgue algumas das fotografias que tirei – na minha terra -, nos últimos 15 anos.

julho 29, 2004

Agenda 21 Local

Estou certo de que a maioria dos autarcas do Bombarral não faz a mínima ideia do que seja a Agenda 21 Local.
Um grupo de investigação do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, tentou traçar o perfil dos primeiros presidentes de Câmara do século XXI, no âmbito do programa Observa, e conclui-o que apenas 9,8% deram uma resposta que se aproxima do que é esta ferramenta participada de desenvolvimento sustentável a longo prazo.
No universo de respostas, verificou-se que o Plano Director Municipal (PDM) é o único dos instrumentos de ordenamento considerado pelos presidentes da Câmara.
Documentos como a Rede Natura 2000 são tendencialmente negativos. E 62% dos inquiridos tem opinião desfavorável sobre a Reserva Ecológica Nacional baixando para os 57% o número dos que têm igual posição em relação à Reserva Agrícola Nacional.
Ainda de acordo com os investigadores, 40% dos presidentes da Câmara consideram que as decisões estão unicamente reservadas aos eleitos.
O que só por si é bem demonstrativo da ignorância de alguns autarcas .
A Agenda 21-Local é uma composição de voluntários da sociedade do município, voluntários esses que trabalham absolutamente de graça, e que, ladeados por representantes do executivo e legislativo municipal, em minoria, como apoio, visa buscar, através de discussões, o que é importante para o município, a fim de que os cidadãos e principalmente as gerações que lhes seguirão, possam desfrutar de uma melhor qualidade de vida, no que tange ao social, ao económico e ao ambiental.
Os voluntários são representantes autênticos da sociedade, visto que são os segmentos organizados da sociedade que os indicam para a composição dos fóruns de debates sobre as questões do Município. Logo, são a voz e a vontade daqueles que representam, isto é, da população local.
Cidadania - Sem sombra de dúvidas, cada vez mais se ouve falar em cidadania, que significa a organização política das sociedades, dotando-as do poder de tomar decisões e de administrar a vida pública, tendo como princípio o facto de que a população, como um todo, é compreendida pelos seus mais diferentes segmentos, e tem o direito de participar nas tomadas de decisões e da administração da vida pública.
E esse direito pode ser exercido indirectamente através dos representantes escolhidos, que é o modo consagrado, ou directamente, através de formas organizadas de participação colectiva, que é o caso da Agenda 21-Local.
Acções colectivas organizadas, visando o estabelecimento de metas desejadas, reúnem forças sociais e canalizam-nas nas direcções pretendidas, explicitando aos nossos representantes os interesses que cumprem representar e que não necessariamente coincidem com os seus pessoais, tornando transparente a natureza dos interesses públicos. Em fim, a Agenda 21-Local é um modelo de democracia participativa que tende a ocupar o espaço da democracia representativa.
Dessa forma, a Agenda 21-Local está ai para que, exactamente, se consiga, através de consensos da população, definir o que é prioritário fazer dentro de um rol de necessidades do município e de que forma aquilo que é prioritário deve ser resolvido. É uma concepção muito mais democrática de administração, invertendo o sentido das decisões, que sempre têm sido de cima para baixo.
É evidente que as decisões passam a demorar um pouco mais, visto que o trabalho para consensar as opiniões é muito mais árduo, pela grande quantidade de actores e ideias que surgem para resolver num mesmo assunto.
É certo que há problemas urgentíssimos a serem resolvidos, como por exemplo, a questão do lixo e a poluição do ar. Nestes casos, a busca de soluções é acelerada ao máximo dentro dos Grupos Temáticos da Agenda 21-Local, mas não se pode correr o risco de que essas soluções sejam precipitadas, porque, se erradas ou incompletas, poderão trazer grandes prejuízos ou difíceis de serem contornadas, depois de postas em prática, acarretando dificuldades exactamente para aqueles que, no futuro, deveriam delas beneficiar sem atropelos.
Como avaliar se o município está a caminhar em direcção a sustentabilidade?
A comunidade pode eleger uma série de indicadores apropriados para as suas respectivas realidades. Sugere-se perguntar se alguns destes pontos básicos:
Redução de desperdício de recursos (naturais, financeiros, humanos);
Controle e prevenção da degradação ambiental;
Redução do volume de lixo e tratamento do mesmo;
Melhoria nas condições de moradia, saneamento e provisão de água;
Melhoria no nível de saúde (higiene e prevenção) e educação básica;
Oportunidades para cultura, lazer e recreação;
Promoção de oportunidades para trabalho;
Acesso à informação e aos processos de tomada de decisão.
Será que algum foi cumprido, não, ninguém tem duvidas que nada foi feito para que a Agenda 21-Local fosse ou venha a ser aplicada no Bombarral, nada foi feito nem nada será feito com esta equipe que nos desgoverna

junho 08, 2004

Mudar de opinião

Como é difícil!
Quantas vezes nos encontramos no dilema em que se exige de nós uma opinião.
Quantas vezes nos encontramos no dilema, em que aquela opinião que tínhamos de um determinado assunto, cada vez mais se torna anacrónica e nos angustia, porque o que era talvez uma verdade que achávamos irrefutável se tornou obsoleta; agravando-se ainda mais, quando essa opinião de que éramos possuidores e que achávamos "imutável", algumas vezes é do conhecimento de outros.
Que fazer então ?
Estamos permanentemente em mudança. As células de nosso corpo são mortas e renovadas; uma insignificante semente, transforma-se numa frondosa árvore; o nosso crescimento anatómico muda da infância à velhice; a nossa mente também muda da infância inocente passando pela emotividade explosiva da adolescência, para depois nos tornarmos racionais na idade adulta e sermos ponderados na velhice.
Quem desconhece isto, desconhece as mudanças em que estamos em constante mutação, de pensamento e actos.
Isso é lógico pois nada é estático nem um corpo rígido cadavérico, porque este, está a decompor-se dando á terra o que dela tirou para sua composição e dos resíduos deste outros corpos vivos formar-se-ão.
Uma das maiores estupidez que existe nas nossas vidas é usar o chavão, "não mudo de opinião", ou se preferirem "não abro mão de...", isso reflecte o homem não evoluído de pensamento, homens mesquinhos que não tem capacidade ou quem sabe que têm medo de pensar em outras coisas para as suas mudanças intelectuais. Este é o homem que vai contradizer a sua consciência, o homem arcaico e negligente com a sua sabedoria, o homem que fica preso á arquitectura paleolítica do relacionamento interpessoal.
Dizer não mudo de opinião, mesmo sabendo que se está errado, é ir contra os ditos de um mundo em constante mudança, é não saber corrigir um erro que está dentro dele, é ser covarde e não enfrentar os outros, por ter medo que lhe digam: "mas você pensava de maneira diferente há algum tempo", e não poder responder: "felizmente mudei de opinião, felizmente estou a evoluir, não me tornei num ser estático e inconsequente".
Mudar de opinião, é dar um atestado de sabedoria, pois essa mudança traz consigo maior bagagem de conhecimento, pois leva-nos a uma reflexão, usando o discernimento intelectual para operar mudanças que são do nosso agrado.
Mudar de opinião, é corrigir erros que fazem parte de nós de maneira permanente.
Mudar de opinião, é ser nós mesmos, é agrupar dentro dos pensamentos novas formas de ver a sociedade.
Mudar de opinião, é sair da estagnação da idade da pedra para entrar na realidade da era da informação, alias que avança de maneira vertiginosa.
Em séculos passados fomos testemunhas do significado de verdadeiras mudanças, pois evoluímos de uma sociedade que caminhava a passo para a nossa sociedade actual, que avança rápidamente rumo a outros planetas.
Por outro lado, existem os chamados "formadores de opinião", cuidado com essas pessoas, porque podem ter duas caras: a emotiva, inspirada pela eloquência irresponsável e a racional, inspirada pelo pensamento lógico e inconsequente.
Quando nos deparamos com as palavras emotivas, que são aquelas carregadas de apelo e que nos tocam mais internamente, aqui, a análise crítica torna-se um elemento desprezível, porque o nosso lado emocional está apenas a sentir o tal apelo sem levar em consideração o raciocínio lógico, frustrando dessa maneira a nossa autocrítica. Estamos assim incapazes de análise e tornamo-nos em objectos de manipuladores intelectuais. Muito cuidado, porque o fanatismo começa aqui, e, o fanático não pensa, age .
Por outro lado quando nos deparamos com opiniões de uma lógica indestrutível pondo em evidência a nossa análise racional, não podemos jamais esquecer que a ética e a moral de cada um de nós, são os juizes de nosso emocional e poderá dizer-nos, o certo e o errado perante situações extremas; isto é, o nosso raciocínio deve partir do pressuposto, de que embora seja muito lógico e racional o exposto, devemos sempre perguntar: será que para mim, é moral e eticamente aceitável?
Na análise de uma opinião, as perguntas a serem respondidas são:
Qual será a opinião contrária?
Sou suficientemente humilde para poder julgar?
Tenho que aceitar esta opinião como um todo?
Quantos beneficiar-se-ão da minha aceitação? E quantos perderão?
Em primeiro lugar, devemos aprender a ser juizes de nós mesmos, para poderemos ser juizes de outros; não esquecendo nunca que o exercício de julgar é preponderantemente a imparcialidade.
Não temos nenhum direito de atirar pedras ao telhado do vizinho, pois sempre estamos expostos ao julgamentos de outros.
Por essas razões devemos ser ponderados no nosso julgamento, nunca deixando que a emoção pura ou a lógica irrefutável, faça de nós meros títeres presos como marionetes a dançar conforme slogans de músicas, onde a racionalidade e a emoção não estejam presentes em uníssono para tirarmos as nossas conclusões.
Por essa razão também quando necessário devemos mudar a nossa opinião, pois só assim estamos evoluindo.
Se actuarmos assim, estamos a levar como estandarte a Justiça, por sermos imparciais.
Para isso temos que ter a devida coragem e, mudar de opinião...!

maio 21, 2004

A história irreal de um autarca


O autarca saiu de casa muito apressado.
Foi essa a máscara que afivelou nesse dia. Estava-lhe bem.
Guardou o telemóvel no bolso largo do fato, aquele que tinha mandado fazer para que nele coubesse bem visível. Tinha que mostrar a toda a gente a sua importância e a pressa que esta lhe causava. Tinha que mostrar o muito que tinha que fazer. Era para poder espantar as vozes que diziam do seu demasiado paleio - e as poucas obras.
Passava logo de manhã rapidamente pelo gabinete e nada dizia com a pressa que logo ficcionava.
Nada podia ser feito porque ele não sabia o que fazer.
Tudo lhe era indiferente, menos o ordenado chorudo que lhe nascia em cada dia 25 de cada mês.
As suas habilidades eram poucas mas a biblioteca que não lia, os livros e artigos que não escrevia, por uma excessiva actividade que proclamava, atestavam a sua alta qualidade de autarca chefe.
Foi assim que chegou ao gabinete. Olhou para a secretária que esperava ordens e disse que lhas daria mais tarde. Tinha que observar uns documentos mas eram uma seca, como eram as aulas de uns professores que o ensinavam a lê-los. Eles nunca os ouviu. Mas era autarca. Da mula russa, mas autarca.
É tão chato pensar. Que aborrecido.
Mas logo pôs um ar pensativo, a sua máscara dos dias solenes. Sabe que lhe fica bem. Treinou tudo ao espelho com afinco. Fê-lo durante dias. Valeu a pena. Viu logo que sim. Toda a gente espera as suas decisões.
Mas isto nada resolve já que ele nunca aprendeu nada que desse para pensar.Mas ele nada. Pensou: Raios parta esta vida.
Mas logo viu que tudo ia correr bem e só porque tinha um padrinho poderoso.Os outros teriam que o aturar. Sorriu e desatou a rir. Gritou com arrogância: Aturem-me.
Afivelou a máscara de menino traquina, aquele que não ouvia os professores nas aulas, mas só porque já sabia tudo. Dizia a mamã, toda bem. Contudo não era verdade.
Logo pensou como é bom gozar com quem sabe e logo agora que não sei o que fazer.
Disse então à secretária que lesse os documentos e que fizesse o seu resumo exaustivo. Só então reparou que ela só estava ali, mas só, porque ele a tinha achado jeitosa no dia da entrevista. Ela tinha posto a máscara de mulher fatal - recordou com prazer.Foi o que ele preferiu à máscara das outras que se apresentaram parvamente com a de secretárias eficientes. Mas agora precisava delas.
Não precisava desta parva insonsa, que se sentava com o seu olhar deveras engraçado à sua frente, agora muito a despropósito, esperando que ele resolvesse os problemas dos fornecedores e dos clientes.
Não se atrapalhou, enfiou a máscara de desenrascado.
Fale com o advogado. É para isso que lhe pagamos. E a parva logo disse: Ele telefonou a pedir que assinasse o cheque. Ora diga-lhe que eu não tenho tempo. Disse, retomando a máscara de apressado.
Já agora preencha o cheque. Disse, tentando ser simpático. Eu assino já - acrescentou. Ela disse logo:
Tenho que ir ao cabeleireiro, não tenho tempo - disse ela com o seu apressado. Era o que em boa hora tinha aprendido com o autarca. De resto, ele só ensinava isto.Era a sua máscara preferida. Era preferível à do autarca que nem ata nem desata. Sabia . Ele derreteu-se logo a pensar como ela ficaria bonita. Pensou em levá-la à discoteca.
Ao menos serviria para alguma coisa. Afinal era Carnaval e a vida são dois dias. Convidou também o advogado para ir à discoteca, entregar-lhe-ia lá o cheque. Ele precisa dele. Tem uns problemas por aí com uns clientes, os que reclamaram acerca dos produtos. O telemóvel não pára de tocar quando almoça ou janta. Que chatos. Tem que os acalmar com o advogado.
Tristezas. Estes gajos não percebem que ele tem pressa. Nada de aflições. Afivelou a máscara da calma. Afinal tinha recebido um novo subsídio. Afinal, tudo, o que de mal se tinha passado, está assim resolvido. O seu padrinho tinha resolvido tudo. É para isso que serve o poder.
Para mascarar as incompetências. Não é?

janeiro 03, 2004

O fascínio pelo poder

Objecto do desejo entre os seres da espécie animal, o poder entre os homens tem exercido um fascínio digno de investigação ontológica.
No seu ''discurso filosófico'' disse Voltaire: ''como um homem pode tornar-se senhor de outro e por que espécie de incompreensível magia pode se tornar senhor de muitos outros homens ? ''Ser senhor é um desejo oculto ou explícito dos humanos. Voltaire ainda faz a diferença: ''como se elabora o conceito e a necessidade de poder ?''
Da clava dos trogloditas às jogadas do marketing politico, têm evoluído naturalmente os meios para atingir o domínio de uns homens sobre os outros e, com o devido respeito, o Príncipe de Maquiavel tem-se transformado em "santo" pelos homens do poder de hoje, nomeadamente através da circulação de livros e opiniões sobre temas onde se recomenda aos ''poderosos'' a hipocrisia, a dissimulação, o culto à personalidade, de entre outros escrevendo-se verdadeiros ''tratados de velhacaria'', entre alguns dirigentes nacionais e alguns políticos locais.
Poder e liderança estão interligados, e há o momento certo de compartilhar, e dar espaços a novas lideranças.
O actual Presidente da Câmara do Bombarral é um exemplo de legítimo líder. Os anos em que tem sido maltratado e atacado pelo seu próprio partido á frente da autarquia permitem-lhe estar no poder de forma legítima - materializando assim o ideal personalizado.
Exemplo raro, pois é mais comum, nestas situações, vingarem os ''desesperados'' pelo poder, ávidos por holofotes e pelas homenagens, agarrando-se de forma predatória ao esmagamento de concorrentes.
Pobres de alguns dos que detêm o poder na autarquia. Ideais? Ignoram, as suas metas que são puramente fisiológicas e não sobrevivem ao mínimo de coerência que é a própria incoerência de quem governa.
Ser líder é pensar grande, agindo socialmente para construir um concelho melhor, preferindo o colectivo ao individual.
A crise de sucessão deverá perdurar, mesmo cientes de que "Deus" lhes concedeu o livre arbítrio. O poder entorpece os corações, mas o deste presidente não intorpeceu.
O maior líder não é o que está ao comando do mundo, mas o que governa e comanda o concelho do bombarral.