novembro 01, 2013

Morreu o Zé da Guiné

Há alguns anos que não estava com ele.
Morreu na sexta-feira o Zé da Guiné, o Zé foi o noctívago mais marcante da vida nocturna e cultural de Lisboa nos anos 1980 e com ele a minha geração. Morreu durante a noite, aos 54 anos.
O Zé da Guiné era um artista que criou ambientes e alterou mentalidades nocturnas. O Zé abriu caminhos a diversões, numa noite de Lisboa que nos anos setenta era fechada, triste e quase clandestina antes do Zé da Guiné e do próprio Manuel Reis, do Frágil e do Lux.
Contra todos os pessimistas estes dois artistas da noite conseguiram abri-la e alegrá-la trazendo-a até aos dias de hoje.
Natural da Guiné-Bissau chegou a Lisboa nos anos 70, depois do 25 de Abril, como eu, o Zé foi um dos primeiros a aventurar-se numa zona de prostitutas e de má fama o Bairro Alto, abriu o Souk, mais tarde o Rock House, que foi depois Juke Box, assumindo várias funções, entre elas a de porteiro.
Com a morte do Zé da Guiné morre a noite de uma geração que veio de Africa e alimentou a noite lisboeta durante duas décadas como ninguém.
O Zé era conhecido de todos, desde clientes a artistas e músicos. Diria mesmo que o Zé foi um símbolo da noite de Lisboa. Era um apaixonado que deixou as suas marcas nas Noites Longas, em Santos, no local onde veio depois a ser instalado o B. Leza e que hoje está fechado, a sua reabertura seria a maior homenagem ao Zé da Guiné. Descansa em paz.